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Um país curioso

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Na televisão discutem banalidades uns quantos intitulados candidatos. Por outros tantos ecrãs, domina a partilha de questionários sobre em quem votar, porque reflectir e analisar esta fantochada não parece compensar. Neste país curioso assim se decidem eleições.

Saio de casa para esta fria e húmida noite de chuva, à procura de café para me libertar deste torpor que a alucinação em massa induz. Com alguma sorte, encontro mesas vazias no restaurante perto de casa. Não jantei, nem janto. A cozinha já fechou, e felizmente não tenho fome, mas não posso dizer o mesmo de muitos concidadãos nesta estranha noite.

Numa mesa seca, abro o portátil e começo a tentar resolver os meus problemas, tão comuns e banais como os tantos outros. O dinheiro escasseia, mas dizem que me devia preocupar com outra idiotice que um desses candidatos disse. Tento um pouco de isolação, e preparo estas linhas.

Estou rodeado pela juventude que vota pela primeira vez, e a nostalgia toma um pedacinho de mim, não demais. Não demais, porque tal como eles, não sei em quem votar, porque a apatia política tomou de assalto o meu espírito. Pouco ou nada faz sentido, e considero talvez ir fazer um desses tais questionários, financiados por partidos extremistas, para neles votar.

Como acto de revolta, devo fazer esses mesmos questionários, mas depois votar no cancro light de algum partido do costume. Não sei, mas preciso de ir fazer uns desses questionários. Assim se decidem eleições neste país curioso.